A criatividade na cozinha está reescrevendo a história de dezenas de famílias na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Na Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangues de Magé (ACAMM), o protagonismo é de um ingrediente antes ignorado pelo mercado: a ubarana. Graças aos saberes tradicionais, esse peixe, que costumava ser desprezado por causa de suas espinhas, virou a estrela de um negócio lucrativo e transformador.
Sabor que gera renda e união
O cardápio da ‘Cozinha das Caranguejeiras’ é um verdadeiro sucesso, oferecendo desde estrogonofe e escondidinho até coxinhas, quibes e risoles, todos feitos à base de ubarana. A iniciativa não apenas aquece a economia local, como também funciona como um centro de acolhimento social. Para mulheres que enfrentavam o isolamento ou a depressão, o espaço tornou-se um ponto de encontro para compartilhar histórias, problemas e, acima de tudo, forças, enquanto garantem o sustento de suas casas.
O segredo da valorização
Antigamente, a ubarana era apenas um complemento alimentar para as famílias de pescadores. A virada de chave aconteceu quando as próprias mulheres da associação começaram a aplicar técnicas ancestrais de preparo, permitindo aproveitar a carne do pescado sem que as espinhas fossem um empecilho. O sucesso foi tanto que o peixe saiu do consumo doméstico para ser o carro-chefe de almoços e eventos que atraem turistas e pesquisadores.
Preservação em cada prato
O trabalho na cozinha está diretamente ligado à saúde dos manguezais. A associação entende que a qualidade do peixe depende diretamente do meio ambiente. Por isso, a comunidade é ativa na limpeza e no replantio de áreas de mangue. Só neste ano, mais de 12 toneladas de resíduos foram retiradas do Rio Suruí, reforçando que o desenvolvimento econômico da região caminha de mãos dadas com a responsabilidade ambiental.
Educação e turismo consciente
Além da gastronomia, o projeto investe no Turismo de Base Comunitária. Visitantes podem explorar a rica biodiversidade da Baía de Guanabara, observando botos e a fauna local. Segundo a gestão da ACAMM, a cozinha só cumpre seu papel quando, além de alimentar, ela educa. É através dessa troca de conhecimentos que a comunidade fortalece sua identidade e assegura um futuro mais próspero e consciente para as próximas gerações.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

