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Escalada da guerra expõe fracasso do acordo entre Irã e EUA

Brasil e Mundo

O colapso da diplomacia

A intensa escalada do conflito no Oriente Médio nas últimas semanas enterrou qualquer esperança de paz sustentada pelo acordo entre Irã e Estados Unidos. O pacto, que visava encerrar as hostilidades iniciadas em 28 de fevereiro, revelou-se ineficaz, e a região enfrenta agora uma nova e violenta fase de ataques diretos a infraestruturas vitais.

O cenário é de devastação: bombardeios norte-americanos contra o solo iraniano têm atingido alvos civis estratégicos, como hospitais, pontes, usinas de dessalinização de água, polos de produção de combustível e até instalações de um projeto nuclear. Em represália, o Irã expandiu suas operações, lançando ataques contra bases militares dos EUA e infraestruturas essenciais em países aliados a Washington, como Jordânia, Bahrein e Kuwait.

Acordo visto como manobra

Para o major-general português Agostinho Costa, especialista em geopolítica, o memorando de entendimento entre as duas potências nunca teve intenção real de ser cumprido. Segundo ele, o documento foi uma “manobra diversionista” de Washington para ganhar tempo diante de uma crise iminente no abastecimento de petróleo, provocada pelo fechamento estratégico do Estreito de Ormuz.

“O acordo foi uma ficção. Para os EUA, cumprir o que assinaram significaria entregar ao Irã o controle de rotas marítimas vitais para seus próprios clientes no Golfo. O que vemos hoje é um esforço desesperado para manter a hegemonia norte-americana na região, o que muitos analistas já interpretam como o crepúsculo da influência dos EUA no Oriente Médio”, pontua Costa.

A Jordânia no olho do furacão

A Jordânia tornou-se um dos pontos mais críticos do conflito por ter assumido o papel de principal centro logístico da Força Aérea americana. A escolha não foi por acaso: com as bases no Golfo sob constante ameaça, o país vizinho passou a sustentar as operações de Washington. Curiosamente, Israel mantém-se fora do alvo direto dos contra-ataques iranianos, operando o aeroporto Ben Gurion quase como uma zona de exclusão ou santuário logístico para os EUA.

Ali Ramos, cientista político e especialista em defesa, alerta que a estratégia atual dos Estados Unidos é de “terra arrasada”. Contudo, os objetivos iniciais — como o desmantelamento dos programas nuclear e balístico iranianos — permanecem inalcançáveis. “Ao atacar infraestruturas civis que deixam milhares de pessoas sem água, os EUA acabam por fortalecer o apoio interno ao regime iraniano, gerando uma legitimidade que o governo de Teerã não teria em outras circunstâncias”, explica Ramos.

Ausência de uma estratégia clara

O diagnóstico entre especialistas é de que a Casa Branca carece de um plano de longo prazo. O uso recorrente de bombardeios aéreos tem se mostrado incapaz de subjugar o Irã, cujas capacidades ofensivas permanecem operacionais.

“Estamos na fase de gestão da escalada. Os americanos se recusam a uma invasão terrestre, mas acreditam que podem resolver um conflito contra uma potência regional como o Irã apenas com aviões. É uma tática que não surtiu efeito nos últimos meses e que não apresenta sinais de mudança”, avalia o major-general Agostinho Costa.

O futuro do Estreito de Ormuz

O cerne da disputa vai além da política interna iraniana. Analistas apontam que a agressão iniciada há mais de um ano tinha como alvo secundário conter a influência econômica da China na região. Com o fracasso na tentativa de trocar o regime em Teerã, Washington busca agora desesperadamente retomar o controle do tráfego no Estreito de Ormuz.

O governo iraniano, por outro lado, mantém uma postura irredutível: o futuro modelo de gestão do estreito — por onde passava 20% do petróleo mundial — será definido sob os seus termos e em conjunto com Omã, priorizando, acima de tudo, a soberania e a segurança nacional do Irã.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.

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