Um tributo tardio à ciência brasileira
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizou, nesta quarta-feira (5), uma cerimônia carregada de emoção e significado histórico. Em pleno Dia Nacional da Saúde, a instituição outorgou o título de pesquisador emérito a nove cientistas que tiveram suas carreiras brutalmente interrompidas pelo AI-5, em 1970, durante o triste episódio que ficou conhecido como o “Massacre de Manguinhos”.
Justiça histórica e resistência
O presidente da Fiocruz, Mario Moreira, ressaltou que a homenagem não é apenas um reconhecimento profissional, mas um ato de reparação à memória desses estudiosos que foram afastados de suas funções e impedidos de lecionar durante o regime militar. A entrega dos títulos ocorreu nas escadarias do Castelo Mourisco, no Rio de Janeiro, palco de um processo de reintegração iniciado há 40 anos, sob a liderança de Sérgio Arouca.
Um legado de superação
Os homenageados — Augusto Perissé, Tito Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, Haity Moussatché, Fernando Braga Ubatuba, Moacyr Vaz de Andrade, Hugo de Souza Lopes, Masao Goto, Sebastião José de Oliveira e Domingos Arthur Machado Filho — foram pioneiros em diversas áreas da biologia, química e medicina. Mesmo enfrentando o exílio ou o ostracismo imposto pela ditadura, esses cientistas mantiveram sua integridade e contribuíram para o desenvolvimento da ciência mundial, provando que a excelência acadêmica resiste a qualquer tentativa de silenciamento.
Ciência como pilar da democracia
Além de celebrar o passado, a cerimônia serviu como um alerta para o presente. Em tempos de desinformação, a Fiocruz reafirma seu compromisso com a ciência baseada em fatos. O evento também prestou uma homenagem especial aos herdeiros de Herman Lent e destacou o apoio vital da Universidade Santa Úrsula, que abriu suas portas para que muitos desses pesquisadores pudessem continuar lecionando enquanto eram perseguidos pelo Estado.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

