Polícia conclui inquérito sobre morte de bebê em Fortaleza
A Polícia Civil do Ceará encerrou, na última sexta-feira (17), o inquérito que investigava a morte de uma bebê de apenas 10 meses, ocorrida em 13 de julho, no bairro Dionísio Torres, em Fortaleza. O caso, que inicialmente gerou forte comoção por suspeitas de crime sexual, teve uma reviravolta técnica após a conclusão dos laudos periciais.
De acordo com o relatório final da Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa), a mãe da criança, Ysabelle Rodrigues, de 29 anos, foi indiciada por homicídio culposo comissivo por omissão. Já Roberto Levy Oliveira Magalhães, de 26 anos, primo do namorado da mãe, foi indiciado por homicídio culposo. O namorado da mãe, Francisco Ray Rodrigues Magalhães, de 22 anos, não foi indiciado pela autoridade policial.
Laudo descarta abuso e aponta asfixia
A investigação mudou radicalmente após o resultado da Perícia Forense do Ceará (Pefoce). Os exames laboratoriais descartaram qualquer vestígio de violência sexual, abuso ou presença de substâncias ilícitas no organismo da criança. A causa da morte foi confirmada como asfixia. A tese central, agora sustentada pela polícia, é que o óbito ocorreu quando um dos envolvidos, que estava embriagado, dormiu sobre a criança, esmagando-a acidentalmente.
O caso, que inicialmente foi registrado como estupro de vulnerável seguido de morte, baseou-se em uma análise preliminar feita em uma unidade hospitalar. No entanto, o rigor técnico da Pefoce comprovou a ausência de material genético dos suspeitos no corpo da vítima, o que levou a polícia a reclassificar o crime como homicídio culposo — quando não há a intenção de matar.
Defesas se posicionam sobre o indiciamento
O desfecho do inquérito gerou reações distintas entre as bancas de defesa. O advogado de Ysabelle Rodrigues classificou o indiciamento como um “grave equívoco” e uma precipitação que expôs cidadãos indevidamente, apostando que o Ministério Público fará uma análise técnica que reconhecerá a inocência de sua cliente.
Por outro lado, a defesa de Francisco Ray comemorou a decisão da polícia. Segundo sua advogada, Gleicy Kelly Leitão, o cliente é réu primário e deve ser liberado, já que a investigação provou que não houve participação ativa no evento que resultou na morte da criança. Até o fechamento desta reportagem, a defesa de Roberto Levy não foi localizada para comentar as acusações.
Próximos passos na Justiça
Os dois homens envolvidos permanecem sob custódia, após terem suas prisões em flagrante convertidas em preventivas durante audiência de custódia. O Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) confirmou que novos documentos foram juntados ao processo e passarão pela análise criteriosa do Ministério Público e do Poder Judiciário. O caso segue sob sigilo legal, garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Edição: Portal Itarema Direto.

