whatsapp image 2026 07 29 at 17.41.35

Meteorologistas dizem que não é possível associar ventanias ao El Niño

Brasil e Mundo

Entenda a origem das ventanias que atingiram o Sudeste

Os estados do Rio de Janeiro e São Paulo foram surpreendidos, nesta quarta-feira (30), por fortes rajadas de vento que deixaram um rastro de destruição e vítimas fatais. Na capital fluminense, estações meteorológicas registraram ventos de até 105 km/h, enquanto em São Paulo a velocidade atingiu 125 km/h, causando sérios transtornos e deixando centenas de milhares de imóveis sem energia elétrica.

De acordo com Suellen Araujo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a instabilidade foi causada por uma zona de baixa pressão atmosférica associada ao deslocamento de ar nas camadas superiores da atmosfera. Esse fenômeno, conhecido como “escoamento”, criou as condições perfeitas para rajadas de alta intensidade em ambos os estados.

O papel das frentes de rajada

Marcelo Seluchi, coordenador de operações do Cemaden, explicou que o evento ocorreu devido a uma “linha de tempestades” alinhadas sobre uma frente fria que avançava pela Região Sul do Brasil. Esse processo formou o que os especialistas chamam de “frente de rajada”, um fenômeno que avança rapidamente à frente de uma tempestade, muitas vezes manifestando-se com ventos fortes antes mesmo da ocorrência de chuvas volumosas.

Segundo o especialista, conforme essa linha de instabilidade avançou para o norte, perdendo força, as chuvas intensas deram lugar a um tempo mais ameno, mas o impacto inicial do deslocamento do ar foi o responsável pelos danos observados.

A relação com o El Niño

Embora o El Niño — fenômeno de aquecimento das águas do Oceano Pacífico — esteja em foco devido à previsão de ser um dos mais intensos das últimas décadas, os meteorologistas são cautelosos ao estabelecer uma relação direta com as ventanias recentes.

Suellen Araujo e Marcelo Seluchi concordam que não há evidências imediatas que vinculem as rajadas de quarta-feira ao fenômeno. Seluchi pondera que, embora o El Niño contribua para a maior frequência de frentes estacionárias no Sul do país, as linhas de instabilidade que geram ventanias podem ocorrer em qualquer época do ano, independentemente da atuação do fenômeno climático.

O consenso entre a comunidade científica, que inclui também o pesquisador Thiago Sousa (Uerj), é de que não é possível afirmar nem descartar uma correlação sem a realização de estudos aprofundados. Por ora, os ventos extremos seguem sendo tratados como um evento meteorológico pontual de alta intensidade, reforçando a necessidade de cautela ao atribuir episódios isolados aos padrões globais do clima.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *