Em sua passagem pela Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), o renomado escritor Milton Hatoum reafirmou que a memória é a espinha dorsal de sua obra. Autor de Dança de Enganos, que encerra a trilogia O Lugar Mais Sombrio, o manauara explicou como o passado, longe de ser algo estático, ganha vida e significado quando trazido para o presente.
Memória, família e traumas
Na obra que encerra a trilogia, a personagem Lina assume o protagonismo, revelando as feridas de uma família impactada pela ditadura militar brasileira. Segundo Hatoum, o romance não foca apenas na repressão política, mas na complexidade das relações familiares e nos “enganos” que moldaram a vida de seus personagens, forçando-os a confrontar suas próprias verdades.
Literatura como ato de posicionamento
Primeiro escritor da Amazônia a integrar a Academia Brasileira de Letras, Hatoum não esconde que a escrita de sua trilogia funcionou como uma forma de resistência. O autor descreve a obra como uma “vingança” contra os horrores vividos por sua geração durante o período autoritário, utilizando a imaginação para transformar diários e relatos reais de tortura em literatura.
O remédio da empatia
Ao analisar o cenário político atual, marcado por discursos que flertam com o autoritarismo, Hatoum defende a empatia como antídoto para o egotismo. Para o escritor, a capacidade de se integrar ao coletivo é fundamental para superar as crises que o Brasil enfrenta hoje.
Educação e legado
Durante o evento, o autor destacou a urgência de reconstruir o ensino público no país, pontuando que o desmonte educacional iniciou-se justamente nos anos de chumbo. Em um momento emocionante, ele relembrou a professora que o alfabetizou em Manaus, citando-a como exemplo do impacto profundo que a educação exerce na formação de um cidadão e, no seu caso, de um escritor.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

