O medo tomou conta da comunidade Barreirão, no bairro Cajazeiras, em Fortaleza. Entre a noite da última quarta-feira (29) e a manhã desta quinta-feira (30), diversas famílias foram obrigadas a abandonar suas casas após receberem ameaças diretas de membros de uma facção criminosa que busca o controle territorial da área.
Clima de terror e ordens de despejo
A situação escalou após integrantes da facção Comando Vermelho (CV) enviarem mensagens intimidatórias aos moradores. O teor das ameaças era explícito: os criminosos alegaram estar monitorando toda a região e listaram nomes de pessoas que seriam alvos por, supostamente, apoiarem um grupo rival. “Se não sair fora do Barreirão, o próximo alvo vai ser qualquer um que eu falei aí”, dizia um dos textos recebidos pela população.
A tensão reflete a guerra entre facções que assola diversas regiões do Ceará. Na mesma noite em que as ameaças se intensificaram, um vídeo circulou mostrando membros do grupo rival, a facção Massa, pichando muros e cobrindo as siglas do CV, acompanhado da frase: “Nossa bandeira jamais será vermelha”.
Êxodo forçado sob escolta policial
O pânico fez com que famílias inteiras abandonassem o local às pressas. Algumas não tiveram tempo nem condições de transportar seus móveis e pertences básicos. A Polícia Militar precisou acompanhar a saída de alguns moradores para evitar tragédias durante a mudança forçada.
Nas ruas da comunidade, o cenário de normalidade deu lugar ao silêncio. Moradores relatam que as crianças, antes vistas brincando nas calçadas, agora estão confinadas dentro das casas. “Eu gosto muito daqui, mas mexe com a gente. Vou ficar até onde Deus permitir e Maria também, que eles me mostrem uma luz”, desabafou uma moradora, que, apesar do medo, afirma não saber para onde ir caso precise abandonar seu lar.
O que diz a Segurança Pública
Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que a Polícia Civil já iniciou diligências para investigar o deslocamento forçado registrado no Barreirão. O caso está sendo acompanhado pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e pelo 13º Distrito Policial.
A pasta reforçou a importância do registro do Boletim de Ocorrência por parte das vítimas, garantindo que as ações contra organizações criminosas continuam sendo realizadas de forma constante em todo o estado.
Edição: Portal Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução.

