Descompasso entre promessas e realidade
Uma análise detalhada realizada pelo Instituto Update em 12 candidaturas à Presidência da República revela que, embora as propostas voltadas ao público feminino estejam presentes no debate eleitoral, elas ainda são tratadas de forma superficial. O estudo indica que os planos de governo focam excessivamente no papel da mulher como ‘vítima’ ou ‘destinatária’ de políticas, negligenciando seu protagonismo como sujeito de decisão política.
Violência como foco principal
O tema que mais aparece nos programas é o combate à violência. Três quartos dos planos analisados trazem propostas sobre proteção, feminicídio ou redes de apoio. No entanto, o levantamento aponta uma falha crítica: a maioria dos candidatos ignora a insegurança cotidiana que limita a circulação das mulheres nas cidades, focando apenas na punição e não na mobilidade urbana ou prevenção em espaços públicos.
Participação política em segundo plano
Um dado alarmante é a escassez de propostas para a participação política feminina. Apesar de a representação ser uma demanda clara das eleitoras, apenas um candidato apresentou um plano robusto voltado ao combate à violência política de gênero e à formação de lideranças. Na prática, as candidaturas ainda têm dificuldade em integrar mulheres nos espaços de poder e decisão.
Autonomia econômica e o desafio do cuidado
A autonomia econômica é pauta recorrente, aparecendo em mais da metade dos planos. Contudo, existe uma disputa de visões: enquanto alguns candidatos focam em crédito e empreendedorismo, outros abordam a igualdade salarial. O mesmo ocorre com as políticas de cuidado e creches, vistas ora como infraestrutura essencial para o trabalho da mulher, ora apenas como um suporte à maternidade. O Instituto Update ressalta que, para avançar, é preciso que os planos detalhem metas e instrumentos claros, saindo apenas do campo da retórica política.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

