Crime organizado e eleições sob investigação
Uma grave mancha na democracia cearense foi exposta nesta terça-feira (11) com a deflagração da Operação Omertá. A Polícia Federal e o Ministério Público do Ceará (MPCE) revelaram um esquema audacioso onde candidatos eram obrigados a pagar um ‘pedágio’ de até R$ 60 mil para conseguir circular e fazer campanha em diversos bairros de Sobral.
Prisões e afastamentos em Sobral
A ação resultou na prisão de três vereadores da cidade — Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Pode) e Mario Vicktor (União) —, que foram afastados de seus cargos por 180 dias. Ao todo, a operação cumpriu 14 mandados de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão. Entre os alvos, destacam-se ainda um assessor jurídico da Câmara Municipal, um advogado e até uma policial militar, suspeita de ligação direta com a liderança da facção.
Coação e medo no processo eleitoral
As investigações apontam que a organização criminosa não se limitava à extorsão financeira. Havia um controle rígido sobre quem poderia ou não entrar em determinadas áreas, com ameaças de morte e atentados que forçaram o cancelamento de eventos políticos em 2026. A prática de ‘pedágio’ era escalonada: R$ 30 mil para quem não possuía mandato e R$ 60 mil para quem já exercia a função pública.
Justiça em ação
O nome da operação, ‘Omertá’, faz referência ao código de silêncio da máfia italiana. Agora, os investigados enfrentarão acusações que incluem organização criminosa, extorsão, corrupção eleitoral e lavagem de dinheiro. A 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza segue coordenando as diligências para desmantelar essa rede de influência que tentou sequestrar a vontade popular nas urnas.
Edição: Portal Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução

