A resistência através do verso
Nos sombrios anos 70, em plena ditadura militar, um grupo de jovens estudantes na Bahia decidiu que o silêncio não seria a sua resposta. Eles ocuparam a Praça da Piedade, em Salvador, transformando o espaço público em um palco de resistência cultural e política. Nascia ali o movimento ‘Poetas na Praça’, um capítulo fundamental da nossa história de luta pela liberdade.
O desafio na porta da segurança
Ametista Nunes, uma das fundadoras e a única mulher do grupo original, relembra o cenário hostil. O grupo escolheu estrategicamente declamar suas obras em frente à Secretaria de Segurança Pública da Bahia. A escolha não foi por acaso: era um ato de provocação direta ao autoritarismo. ‘A gente só recitava poesias de subversão. Era para provocar mesmo, porque naquela época tudo era proibido ou perseguido’, recorda a poeta.
Popularização e educação
Mais do que um grito contra a censura, o movimento foi um divisor de águas para a democratização da leitura. O poeta Douglas de Almeida destaca que o grupo retirou a poesia dos gabinetes eruditos e a levou para o povo, utilizando uma linguagem urbana, direta e acessível. Além de versos autorais, os poetas organizavam antologias com clássicos como Manuel Bandeira e Cecília Meireles, educando e formando novos leitores no coração de Salvador.
Legado eterno
Para os remanescentes do movimento, que celebraram sua trajetória na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) 2026, a arte nunca deixou de ser o principal instrumento de transformação social. Entre versos subversivos e poemas de amor, o grupo provou que, mesmo sob o peso de um regime autoritário, a voz da poesia é capaz de sobreviver e inspirar novas gerações a buscarem dias mais democráticos.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

