Operação Metástase: Polícia desarticula quadrilha de roubo de medicamentos
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira (21), a “Operação Metástase”. O objetivo é desarticular uma organização criminosa interestadual especializada no roubo e na redistribuição ilegal de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto custo.
As investigações apontam que o grupo movimentou mais de R$ 33 milhões em apenas um ano. Para lavar o dinheiro e reinserir os produtos roubados no mercado, a quadrilha utilizava uma rede composta por cerca de 25 empresas de fachada espalhadas pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará.
Logística criminosa e atuação interestadual
A operação cumpre dezenas de mandados de prisão e busca e apreensão. Além das prisões, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, além do sequestro de imóveis e veículos de luxo vinculados aos suspeitos. A ação ocorre simultaneamente em diversos estados, com apoio das polícias locais.
Segundo a polícia, a organização possuía uma estrutura sofisticada, dividida em núcleos estratégicos: desde o grupo armado responsável pelos roubos até setores logísticos e financeiros. O Complexo da Maré, na zona norte do Rio, servia como base logística para o transbordo e armazenamento das cargas, contando com a proteção armada de facções locais.
Risco à saúde pública e fraudes em licitações
O esquema não se limitava ao roubo: os criminosos aliciavam funcionários de transportadoras para obter informações privilegiadas sobre rotas. Após o roubo, os medicamentos eram comercializados para hospitais privados e, alarmantemente, reinseridos no sistema público de saúde por meio de fraudes em processos licitatórios.
As autoridades fazem um alerta grave sobre o impacto à saúde dos pacientes. Por se tratarem de fármacos que exigem controle rigoroso de temperatura e manuseio, o armazenamento inadequado durante os roubos pode comprometer a eficácia do tratamento, causar contaminações ou gerar substâncias tóxicas.
O desabastecimento causado pelos roubos frequentes — foram ao menos 20 crimes do tipo nos últimos seis meses — coloca em risco direto o atendimento a pacientes que dependem de tratamentos de câncer e procedimentos de transplante, tornando o combate a essa rede uma prioridade absoluta para as autoridades de saúde e segurança pública.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.

