O preço do barril de petróleo disparou no mercado internacional nesta quinta-feira (23), ultrapassando a marca dos US$ 100. A alta de 6% no tipo Brent ocorre após novos ataques do grupo rebelde houthis, do Iêmen, contra navios sauditas no Mar Vermelho, elevando a tensão geopolítica e o temor de uma nova crise inflacionária global.
Impacto no comércio e nos preços
A crise foi intensificada pelo bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb imposto pelos houthis. A via é estratégica para o escoamento de combustíveis e mercadorias entre a Ásia e o Ocidente. Analistas alertam que a medida prejudica severamente a logística de abastecimento, especialmente para a Arábia Saudita — um dos maiores produtores mundiais — e para o mercado europeu, que depende fortemente desta rota.
Este salto de 42% no valor do barril, desde o início de julho, reverte a tendência de queda observada após a assinatura de um breve memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos em meados de junho. Especialistas do setor, como Ticiana Álvares, do Ineep, ressaltam que o bloqueio força a busca por rotas alternativas mais longas e dispendiosas, o que pressiona diretamente o custo dos fretes e, consequentemente, os preços ao consumidor final.
Geopolítica em ebulição
A escalada do conflito, que envolve EUA, Israel e Irã, atingiu um novo patamar de complexidade. Com a aliança estratégica entre houthis e Teerã, o Estreito de Bab el-Mandeb tornou-se um ponto de pressão máxima na disputa de poder regional. O diretor do Instituto de Altos Estudos de Geopolítica (GSEC), Rodolfo Queiroz Laterza, aponta que o conflito no Iêmen, antes visto como “congelado”, foi reativado com força total após bombardeios sauditas no porto de Sanaa, desencadeando uma retaliação com uso de mísseis antinavio, balísticos e drones de alta precisão pelos rebeldes.
Novo cenário para a economia global
O professor Danny Zahreddine, especialista em relações internacionais, avalia que o mundo entrou em uma fase de impasse onde qualquer tentativa de pressão dos EUA sobre o Irã gera uma reação imediata sobre as cadeias de suprimento globais. “Quando os americanos apertam os iranianos, eles respondem atingindo os aliados dos EUA e os fluxos de comércio essenciais”, explica.
Cerca de 10% de todo o comércio marítimo de petróleo passa pela região bloqueada. A perspectiva de analistas e acadêmicos é de um cenário desafiador para a estabilidade dos preços dos hidrocarbonetos, com pouca margem para otimismo a curto prazo, dado o envolvimento militar crescente de diferentes atores em rotas de navegação vitais para a economia mundial.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

