Um recuo estratégico
O governo do presidente argentino Javier Milei enfrentou uma derrota significativa em seu projeto de ampliar a venda de terras nacionais para estrangeiros. Diante de uma onda de protestos massivos e da falta de apoio no Senado, o governo foi forçado a retirar a proposta de votação. A polêmica, apelidada de “estrangeirização das terras”, tocava em um nervo exposto da identidade argentina: a soberania nacional.
O peso das Malvinas
A resistência à medida ganhou força com a memória viva da Guerra das Malvinas. O sentimento de patriotismo, que se intensificou após atletas da seleção argentina exibirem faixas em defesa das ilhas durante a Copa do Mundo, uniu desde governadores e políticos de diversas legendas até grandes nomes da cultura e música pop argentina, como Lali Espósito e Nicki Nicole. A pressão social, aliada à resistência de governadores preocupados com seus territórios, tornou insustentável a manutenção do projeto.
Soberania em xeque
Especialistas apontam que o governo Milei subestimou a sensibilidade do tema. A proposta, que visava ampliar o limite de aquisição de terras por estrangeiros de 15% para 25% em cada província, foi interpretada como uma ameaça à soberania do país. Mesmo com a promessa de atração de investimentos internacionais, a justificativa da Casa Rosada não conseguiu superar o medo da ocupação territorial externa.
Polêmicas que permanecem
Embora o projeto de venda de terras tenha sido retirado, o governo manteve a tramitação de medidas dentro do pacote de ‘Inviolabilidade da Propriedade Privada’. Entre elas, a autorização para a venda de áreas protegidas atingidas por incêndios florestais permanece sob forte crítica. Ambientalistas alertam que a medida pode incentivar crimes ambientais, permitindo que grandes latifundiários utilizem o fogo para limpar áreas e dar lugar a empreendimentos imobiliários lucrativos, desafiando leis de conservação vigentes desde 2020.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

