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Projeto democratiza acesso à cultura e leva moradores da periferia ao coração de Salvador

Brasil e Mundo

Uma experiência transformadora

Pela primeira vez, moradores do bairro de Águas Claras, em Salvador, tiveram a oportunidade de vivenciar de perto o centro histórico da capital baiana. O grupo, que incluiu mulheres da terceira idade e famílias, participou da Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), visitando também a Fundação Casa de Jorge Amado e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab).

Para Soraia Santos Pinto, de 61 anos, a experiência foi além do passeio. Após enfrentar um quadro de depressão, ela encontrou na biblioteca comunitária de seu bairro um novo caminho de vida. Ela destacou que iniciativas como essa são fundamentais para abrir novos horizontes: ‘A gente tem que fazer isso mais vezes. É cultura e é bom para a gente’, afirmou.

Desafios e autoestima comunitária

Apesar da proximidade geográfica — Águas Claras fica a apenas 25 minutos do centro —, muitos moradores raramente acessam os equipamentos culturais da cidade devido a barreiras logísticas e financeiras. Segundo a articuladora territorial Aline Dias, o projeto ajuda a elevar a autoestima da comunidade.

‘As comunidades têm muito a falar e muito a escrever. Precisamos de políticas públicas que valorizem o que já acontece dentro dos bairros, ao mesmo tempo em que garantimos o acesso ao que ocorre fora deles’, pontuou a articuladora.

O papel do Circuito Cultural

O passeio foi viabilizado pelo projeto ‘Circuito Cultural’, uma iniciativa do Instituto Motiva. O objetivo é combater a desigualdade no acesso aos bens culturais no Brasil, levando estudantes e membros de organizações sociais a museus e festivais em grandes metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

O impacto dessa exclusão é corroborado por dados do IBGE e do Observatório Fundação Itaú, que apontam um baixo índice de visitação a museus e festivais no país. Para os organizadores, a iniciativa busca quebrar barreiras invisíveis, utilizando a cultura como uma ferramenta poderosa de transformação social e ampliação de repertório para todas as faixas etárias.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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