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Projeto leva atendimento médico a comunidades ribeirinhas do Amazonas

Brasil e Mundo Saúde

Saúde mais perto dos ribeirinhos

Para Aldeniza Silva e Silva, grávida de sete meses, o acompanhamento pré-natal deixou de ser um desafio logístico exaustivo. Moradora da comunidade de Boa Vista, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari, em Carauari (AM), ela antes precisava viajar dois a três dias de barco para chegar à zona urbana e consultar um médico. Agora, com a abertura de novos pontos de atendimento em áreas rurais, o trajeto que exigia dias de navegação foi reduzido para um curto deslocamento, garantindo que o cuidado médico chegue a quem vive isolado pela imensidão da floresta.

O fim das longas jornadas

A realidade enfrentada por Aldeniza é compartilhada por milhares de ribeirinhos em Carauari, município com 28 mil habitantes e território vasto. A falta de rodovias faz dos rios o único caminho possível. Para muitos, como Maria Valkiane Freitas, da comunidade de Bauana, o custo das viagens para consultas na cidade é proibitivo, chegando a custar três vezes mais o valor de uma botija de gás apenas para o deslocamento de ida e volta. Com a instalação de novos pontos de saúde nas bases da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), esse obstáculo financeiro e físico começa a ser superado.

Tecnologia e atendimento integrado

As novas unidades operam como extensões estratégicas do Sistema Único de Saúde (SUS). Equipadas com consultórios físicos, salas de triagem, cadeiras odontológicas e sistemas de telessaúde, elas permitem que profissionais da rede pública realizem desde diagnósticos simples até consultas complexas por vídeo. O projeto, batizado de “SUS na Floresta”, é uma iniciativa público-privada que reforça a Estratégia Saúde da Família, sem criar estruturas paralelas, mas fortalecendo o sistema já existente.

Impacto imediato na comunidade

Desde a inauguração, os resultados já são visíveis. Em apenas uma semana, atendimentos a ferimentos, infecções e monitoramento de hipertensos evitaram o envio de várias “ambulanchas” para resgates emergenciais na sede do município. O enfermeiro Antônio Carlos Alves Bezerra, que atua na unidade de Campina, destaca que a presença física da equipe nas comunidades altera a dinâmica de cuidado: em vez de recorrer a remédios caseiros por falta de opção, a população agora busca orientação profissional imediata, prevenindo o agravamento de quadros clínicos.

SUS na Floresta: um legado de resiliência

O projeto nasceu em 2020, durante o auge da pandemia, como uma resposta à desassistência que atingiu as populações tradicionais. A meta da Fundação Amazônia Sustentável é consolidar uma rede de seis pontos de atendimento. Além das unidades de Carauari, o projeto já possui um ponto em Eirunepé e planeja expansões para os municípios de Itapiranga e Novo Aripuanã. A iniciativa reflete uma mudança de paradigma: ao levar a Atenção Primária para dentro da floresta, o Estado e seus parceiros garantem não apenas a dignidade humana, mas também o bem-estar de quem atua como guardião do território amazônico.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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