Racha político no Ceará: Disputa pelo controle da federação vai parar na Justiça
O cenário político cearense vive um impasse que promete movimentar os bastidores eleitorais. As executivas estaduais do União Brasil e do Progressistas acionaram o Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) para tentar anular a convenção da Federação União Progressista, realizada no último domingo (26).
A tensão surgiu após a federação oficializar apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado. O movimento gerou um paradoxo, já que, separadamente, as direções do União Brasil e do Progressistas decidiram caminhar com o atual governador, Elmano de Freitas (PT).
O epicentro do conflito
A Federação União Progressista, que tem validade nacional até 2029, possui uma dinâmica complexa. No Ceará, ela é presidida por Capitão Wagner (União), figura central da oposição ao Palácio da Abolição. Por outro lado, o comando estadual dos dois partidos que compõem a federação está nas mãos de aliados do governo Elmano: AJ Albuquerque preside o Progressistas, enquanto Moses Rodrigues lidera o União Brasil.
Durante a convenção de domingo, a federação não só declarou apoio a Ciro, como também emplacou o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, como vice na chapa do tucano, além de lançar Capitão Wagner para o Senado. Pouco tempo depois, no mesmo prédio, as cúpulas do União e do PP realizavam reuniões separadas para reafirmar a adesão ao projeto de reeleição de Elmano.
Por que a decisão é crucial?
Diferente das coligações, que são temporárias, a federação funciona como um “partido único” perante a Justiça Eleitoral. Isso significa que a entidade detém o controle sobre recursos fundamentais: o Fundo Partidário e o tempo de propaganda gratuita no rádio e na televisão.
Na prática, se a ata da convenção da federação for mantida, os recursos dessas duas legendas — que oficialmente querem apoiar Elmano — estarão sob o comando da chapa de Ciro Gomes. É justamente esse controle financeiro e midiático que as cúpulas estaduais dos partidos tentam recuperar com a ação judicial, buscando reverter a decisão que favorece a oposição.
A batalha judicial
O racha não é recente e reflete meses de disputa interna pelo comando das siglas no Ceará. O conflito já havia passado pelo crivo da Justiça Eleitoral em maio deste ano, quando a presidência de Capitão Wagner à frente da federação estadual foi confirmada. Agora, o TRE-CE terá a responsabilidade de decidir o destino desses partidos e, consequentemente, o impacto dessa divisão nos palanques cearenses.
Edição: Portal Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução.

