A participação feminina na política brasileira enfrenta um cenário cada vez mais hostil. Dados alarmantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que os processos por violência política de gênero saltaram de 15 casos em 2022 para 177 até setembro de 2026, um crescimento superior a 11 vezes em apenas quatro anos.
Um obstáculo à democracia
A violência política de gênero vai muito além da agressão física. Ela se manifesta através de intimidações, ataques à honra e ameaças constantes, criando um ambiente de silenciamento. Segundo a ministra do TSE, Estela Aranha, o fenômeno tem um efeito cascata devastador: afasta quem já está no poder e desencoraja novas lideranças femininas de ingressarem no debate público, fragilizando a representatividade democrática.
Raça e vulnerabilidade
O impacto é desigual e atinge de forma desproporcional mulheres negras. Relatos encaminhados ao TSE por movimentos sociais apontam ameaças de morte, violência sexual e ataques racistas contra candidatas em todo o país. Uma pesquisa do Instituto Marielle Franco reforça essa disparidade, indicando que 87% das vítimas analisadas entre 2021 e 2025 eram mulheres negras.
Brasil na lanterna da representatividade
Apesar de o país possuir legislação voltada à equidade, o Brasil ocupa a vergonhosa 135ª posição em um ranking de 184 países sobre a participação feminina no parlamento, com apenas 17,5% de ocupação no Congresso. O quadro se repete nos municípios: em mais de 700 cidades brasileiras, não existe uma única mulher ocupando cargos eletivos.
Nova campanha de conscientização
Para frear esse avanço, o TSE e o Ministério Público Federal lançaram a campanha “Política é Substantivo Feminino”. A iniciativa busca sensibilizar a sociedade sobre a gravidade da violência política e garantir que o ambiente eleitoral seja um espaço seguro e igualitário para todas as cidadãs.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

