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Voto feminino no Brasil: a luta histórica contra a misoginia que persiste até hoje

Brasil e Mundo

A história da conquista do voto feminino no Brasil não é um conto de concessões espontâneas, mas uma narrativa de resistência contra uma estrutura misógina que insiste em reaparecer. Desde o século XIX, figuras políticas tentaram barrar a participação das mulheres, utilizando argumentos que, embora tenham mudado de linguagem, mantêm a mesma lógica patriarcal de exclusão.

Um eco do passado

Em 1891, o senador Coelho e Campos afirmou categoricamente: “Minha mulher não irá votar”. Na mesma época, o parlamentar Serzedelo Corrêa argumentava que a política retiraria a “santidade” feminina. Mais de um século depois, em 2026, essas vozes ainda ecoam através de influenciadores que questionam a capacidade de decisão das mulheres. Segundo especialistas, esses discursos não são ineditismos, mas tentativas sistemáticas de frear o avanço da cidadania.

Luta constante e inconstitucional

A professora Fernanda Abreu, da UERN, enfatiza que direitos não se sustentam sozinhos. Questionar o sufrágio feminino hoje não é apenas um retrocesso cultural, é um ato inconstitucional que viola o Artigo 14 da Constituição de 1988. Pesquisadoras alertam que ataques recentes, alinhados a movimentos antifeministas globais, funcionam como uma estratégia de intimidação para desestimular a participação política feminina em um momento em que as mulheres já somam mais de 53% do eleitorado nacional.

Legado de coragem

O caminho até o sufrágio foi pavimentado por figuras como Almerinda Gama e Bertha Lutz. Através do Partido Republicano Feminino e de ações ousadas — como sobrevoos para distribuir panfletos e a articulação internacional —, as sufragistas romperam o bloqueio imposto por códigos eleitorais que, inicialmente, exigiam até a autorização dos maridos para que as mulheres pudessem votar. Hoje, olhar para essas pioneiras é um lembrete necessário: a participação política é um espaço de disputa constante.

O desafio do futuro

Com as mulheres sendo a maioria da população brasileira e enfrentando barreiras estruturais, como a sobrecarga do trabalho de cuidado e a desigualdade salarial, a lição das sufragistas permanece viva. A historiadora Ana Prestes reforça que a educação é a ferramenta principal de resistência. O desafio atual, segundo as especialistas, é romper o apagamento histórico dessas mulheres e reafirmar que a democracia brasileira é, inegavelmente, uma construção coletiva onde o voto feminino não é apenas um direito, mas um pilar inegociável.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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