O berço do sufrágio feminino
Pouca gente sabe, mas o Rio Grande do Norte foi o epicentro de uma revolução política que mudou a história do Brasil e da América do Sul. Muito antes da conquista nacional do voto feminino, as potiguares já desafiavam estruturas arcaicas. Em 25 de outubro de 1927, o estado oficializou a Lei nº 660, que extinguiu qualquer barreira de gênero para o exercício do sufrágio, sendo a primeira medida do tipo no país.
A rebeldia de Celina Guimarães
A história tomou um novo rumo em novembro de 1927, quando Celina Guimarães Viana, moradora de Mossoró, protagonizou um ato de insurgência histórica ao exigir seu alistamento eleitoral em cartório. O feito a tornou a primeira mulher a se alistar e, em abril de 1928, a primeira a votar oficialmente na história brasileira. Ela não estava sozinha: Júlia Alves Barbosa Cavalcante, de Natal, seguiu o mesmo caminho, e outras 13 mulheres também garantiram seu lugar nas urnas naquele mesmo ano.
Alzira Soriano: a prefeita que desafiou o mundo
O pioneirismo não parou no voto. Em 1928, Alzira Soriano de Nóbrega Teixeira fez história ao ser eleita prefeita de Lajes. Sua vitória foi tão expressiva que ganhou destaque no New York Times, apesar de ter ocorrido sob uma onda de ataques misóginos. Alzira provou que a presença da mulher na política era uma realidade sólida, superando insinuações e preconceitos da época para governar com legitimidade.
Legado de luta e resistência
Para especialistas, o caso potiguar foi uma combinação de organização feminista e um ambiente institucional que, embora raro, provou ser o combustível necessário para a mudança. A atuação estratégica de figuras como Bertha Lutz foi fundamental para que essas leis fossem aprovadas, abrindo caminho para o marco nacional que viria apenas anos depois, em 1932. Mais do que leis, o que se viu no RN foi o gesto subversivo de mulheres comuns que decidiram reivindicar seus direitos, mudando para sempre o curso da democracia brasileira.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

