Um prejuízo que beira os R$ 170 mil. Esse foi o impacto financeiro sofrido por um seguidor após cair na lábia de influenciadores digitais que promovem jogos de azar ilegais no Ceará. O caso, que chocou pela magnitude do valor perdido, foi o estopim para a Polícia Civil deflagrar, nesta quinta-feira (16), a Operação “Lavagem Digital”, focada em desarticular um esquema criminoso operando a partir de Juazeiro do Norte.
O início da investigação
De acordo com o delegado Robeilton Amorim, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), tudo começou com a denúncia de uma vítima. “Essa pessoa nos procurou relatando o prejuízo milionário causado pelas apostas sugeridas em um perfil que ela seguia. A partir disso, iniciamos a coleta de provas documentais e relatórios técnicos que fundamentaram as ordens judiciais cumpridas hoje”, detalhou o delegado.
Alvos e o esquema do “Jogo do Tigrinho”
A operação coloca sob a mira da Justiça quatro influenciadores locais: Caroline Pereira Duarte, Anderson Manoel de Souza, Kauê Diogo Pereira Cavalcante e Jesus Kléberson Lourenço da Silva. O grupo é investigado por uma série de crimes, incluindo estelionato, exploração de jogos de azar, crimes contra a economia popular e lavagem de dinheiro.
A estratégia utilizada era a divulgação ostensiva de plataformas clandestinas, como o popular “Jogo do Tigrinho”. Segundo a polícia, o grupo prometia um enriquecimento rápido que, na prática, nunca acontecia. O delegado explica que os influenciadores utilizam um “link demo” – uma versão manipulada do jogo que permite ganhos fáceis apenas para quem demonstra –, enquanto os seguidores reais, ao acessarem as plataformas, sofrem perdas constantes. “Para a população, o prejuízo é certo, porque a banca sempre sai no lucro”, alerta Amorim.
Justiça aperta o cerco
Embora os quatro investigados não tenham sido presos, a Justiça determinou medidas rigorosas para conter o avanço do esquema. Entre as decisões, estão:
• O bloqueio de R$ 2 milhões das contas bancárias dos suspeitos;
• A indisponibilidade de três imóveis ligados ao grupo;
• A suspensão imediata dos perfis dos influenciadores nas redes sociais;
• A obrigação do uso de tornozeleira eletrônica para uma das investigadas;
• Mandados de busca e apreensão em diversos endereços, permitindo que a polícia acesse dados de dispositivos eletrônicos apreendidos.
As investigações do ‘Itarema Direto’ confirmam que a Polícia Civil seguirá analisando todo o material recolhido durante a operação. Novas diligências podem ser deflagradas à medida que os dados dos dispositivos forem processados, visando desmascarar toda a rede de influenciadores que lucra com o prejuízo dos cearenses.
Informações baseadas no portal G1 Ceará.

