Acervo histórico do antigo IML do Rio é retirado de prédio na Lapa

Brasil e Mundo Cultura

Uma força-tarefa composta pelo Arquivo Público do Rio de Janeiro, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e organizações de direitos humanos concluiu, nesta quarta-feira (23), mais uma etapa crucial do resgate de documentos históricos armazenados no antigo prédio do Instituto Médico Legal (IML), na Lapa, região central do Rio.

Memória e verdade preservadas

A operação contou com o acompanhamento do Ministério Público Federal (MPF) e a colaboração do Coletivo Memória, Verdade, Justiça e Reparação e do Programa Pró Memórias, do Instituto Galo da Manhã. A ação atende a decisões judiciais que visam garantir a preservação de arquivos que, por anos, permaneceram em condições precárias de armazenamento.

Entre os materiais recolhidos nesta fase estão documentos funcionais de agentes da antiga Delegacia Especial de Segurança Política e Social (Desps) — órgão que atuou como força de repressão durante o Estado Novo — e microfilmes com laudos cadavéricos produzidos entre 1965 e 1982. O acervo é considerado fundamental para pesquisadores que buscam compreender a estrutura repressiva do Estado brasileiro e esclarecer fatos do passado.

“Cada etapa concluída representa avanço na proteção de um patrimônio documental indispensável para preservar a memória histórica do país e garantir o direito à verdade”, afirmou o procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo.

Combate ao abandono

A intervenção do MPF teve início em março de 2025, após inspeções revelarem um cenário crítico no prédio do antigo IML. O acervo estava exposto a infiltrações, umidade, fezes de animais, risco constante de incêndio e degradação devido ao abandono do imóvel. Após uma série de ações na Justiça Federal e no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, ficou estabelecido que o Estado do Rio de Janeiro deveria realizar o tratamento técnico e a retirada completa dos documentos.

O processo de resgate começou efetivamente em maio deste ano, quando foram salvos os primeiros itens, incluindo livros de registro de entrada e saída de corpos, certidões de óbito de décadas marcadas pela violência política (1960 a 1980), além de mapas, fotografias e objetos tridimensionais.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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