A dívida pública dos Estados Unidos atingiu um marco histórico preocupante, superando a barreira dos US$ 40 trilhões pela primeira vez. Especialistas apontam que o cenário é fruto de uma combinação de fatores: a redução de impostos para os mais ricos, o impacto inflacionário de conflitos no Oriente Médio e a política de tarifas agressiva adotada pelo governo de Donald Trump.
Gastos militares e pressão dos juros
Além da queda na arrecadação, o orçamento americano é pressionado por despesas militares que beiram US$ 1 trilhão anuais. Paralelamente, o custo com o serviço da dívida disparou, chegando a US$ 1,1 trilhão — um montante mais que duas vezes maior do que o registrado em 2021. Esse cenário é agravado pela incerteza geopolítica, que eleva os riscos associados aos títulos do Tesouro norte-americano.
Risco de insolvência?
Embora o valor seja astronômico, economistas ponderam que o país não corre risco imediato de insolvência. Como os EUA emitem a própria moeda e detêm o dólar como reserva mundial, o Federal Reserve (FED) possui mecanismos para estabilizar o mercado. Segundo Pedro Paulo Zahluth Bastos, da Unicamp, o problema central não é o tamanho da dívida, mas sim a inflação e a desconfiança gerada por decisões políticas erráticas da Casa Branca.
O peso do ‘Risco Trump’
Analistas destacam que a estratégia de corte de impostos para o topo da pirâmide social tem concentrado renda e reduzido a receita fiscal do Estado, que hoje arrecada proporcionalmente menos que a média dos países desenvolvidos da OCDE. Somado a isso, o uso do mercado americano como ferramenta de chantagem política gera o chamado ‘risco Trump’, levando nações como China e Brasil a diversificarem suas reservas, reduzindo a dependência dos títulos da dívida dos EUA.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

