Economia brasileira mantém ritmo de crescimento
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reafirmou sua projeção de crescimento de 2% para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026. A estimativa, detalhada no Informe Conjuntural do segundo trimestre, indica que o país deve manter um avanço moderado, sustentado principalmente pela força do setor de commodities, o agronegócio e a resiliência do setor de serviços.
Apesar da estabilidade na previsão, a entidade faz um alerta importante: juros elevados, inflação persistente e o avanço das importações seguem como barreiras que impedem um salto mais expressivo na economia. Mario Sergio Telles, diretor de Economia da CNI, reforça que, embora o consumo e as exportações ajudem a impulsionar os resultados, a atual política monetária restritiva e a fragilidade das contas públicas são os principais entraves para uma aceleração mais robusta.
Inflação em alta e preocupação fiscal
A CNI revisou para cima a expectativa de inflação, que saltou de 4,4% para 5%. O aumento dos preços de alimentos e combustíveis continua a pressionar o orçamento das famílias. Paralelamente, o cenário fiscal preocupa: a previsão aponta para um déficit primário de R$ 55,3 bilhões em 2026, com a dívida pública atingindo a marca de 82% do PIB.
Indústria e Agro: desempenhos distintos
O setor industrial teve suas projeções revistas positivamente, passando de 1,6% para 2,1% de crescimento. O destaque vai para a indústria extrativa, que se beneficia do aumento da produção de petróleo. Já a indústria de transformação enfrenta um cenário mais desafiador, pressionada por custos de produção elevados e uma concorrência intensa de produtos estrangeiros. Na construção civil, a expectativa é de uma reação moderada, impulsionada por novos projetos de infraestrutura e programas de habitação.
No campo, o otimismo prevalece. Com a perspectiva de uma safra recorde de soja e o crescimento da produção animal, a CNI elevou a estimativa para o agronegócio de 1,1% para 1,8%. Em contrapartida, o setor de serviços sofreu uma leve redução na expectativa de crescimento, passando de 2,1% para 1,9%, devido ao aumento do endividamento das famílias e aos juros altos, que restringem o consumo.
Juros elevados travam o crédito
A CNI reduziu drasticamente sua expectativa de cortes na Taxa Selic. O mercado agora projeta juros de 13,75% ao final de 2026, com apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual previstos. Com os juros reais — descontada a inflação — estimados em 9,2%, a política monetária deve permanecer restritiva, encarecendo o crédito para empresas e consumidores ao longo de todo o ano.
Riscos globais e comércio exterior
O cenário internacional impõe cautela. A guerra no Oriente Médio é vista como o principal fator de risco, impactando diretamente o preço de combustíveis e fertilizantes. No campo externo, a balança comercial deve fechar com superávit de US$ 77,9 bilhões, mas a CNI monitora com atenção o aumento das importações de bens de consumo e a possível imposição de tarifas pelos Estados Unidos, que podem frear as exportações brasileiras nos próximos meses.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.

