A gravidez é, para muitas mulheres, a realização de um grande sonho. No entanto, em casos raros e pouco conhecidos, o processo biológico pode sofrer uma falha grave, levando a uma condição chamada doença trofoblástica gestacional, popularmente conhecida como “mola gestacional”. A condição, que interrompe o desenvolvimento do feto, exige diagnóstico rápido e acompanhamento especializado devido ao risco de evolução para um câncer de placenta.
O que é a mola gestacional?
A mola gestacional ocorre por um erro na fertilização. Na “mola incompleta”, a fecundação resulta em uma placenta imperfeita e um embrião com anomalias genéticas incompatíveis com a vida. Já na “mola completa”, ocorre a formação apenas de uma placenta anormal, sem o desenvolvimento de um embrião.
Embora seja inicialmente um tumor benigno, a doença pode se tornar maligna. Em casos de mola completa, a chance de evoluir para um câncer de placenta é de 20%. Em situações mais severas, as células podem se espalhar para outros órgãos, como o pulmão. A interrupção da gravidez e a remoção da mola são indispensáveis, já que a persistência do tecido pode causar hemorragias e complicações graves na saúde da mulher.
Diagnóstico e tratamento
Diferente de outros tumores, o câncer de placenta não é diagnosticado por biópsia, mas pelo monitoramento do hormônio beta-HCG, o mesmo que indica a gestação. Após a remoção da mola, a paciente deve ter uma queda progressiva desse hormônio até níveis zero. Caso a estabilização não ocorra, identifica-se a persistência da doença, iniciando-se, então, o tratamento com quimioterapia.
A taxa de sucesso do tratamento é alta. Após a cura, muitas mulheres conseguem engravidar novamente e ter gestações saudáveis. Contudo, especialistas reforçam que o acompanhamento deve ser feito em centros de referência, onde o risco de mortalidade reduz drasticamente em comparação a atendimentos em locais não especializados.
A importância do suporte emocional
O impacto do diagnóstico vai muito além do físico. Para muitas pacientes, a descoberta da doença gera um choque profundo, misturando o luto pela perda gestacional com o medo do tratamento oncológico. O suporte psicológico e o acolhimento da família são considerados pilares essenciais na jornada de recuperação.
Especialistas da área ressaltam que a paciente não deve carregar culpa. A doença é um evento biológico imprevisível e aleatório. Além disso, o suporte logístico é um desafio para muitas mulheres que residem longe de grandes centros, exigindo paciência e rede de apoio para enfrentar a rotina de exames e sessões de quimioterapia. A troca de experiências entre pacientes que enfrentam o mesmo desafio tem se mostrado, na prática, uma ferramenta valiosa de fortalecimento emocional durante todo o período de cura.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

