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Fome mundial atinge 645 milhões de pessoas, diz relatório da ONU

Brasil e Mundo

Fome mundial cai pelo terceiro ano seguido

O cenário da insegurança alimentar global apresenta sinais de melhora. Em 2025, o número de pessoas passando fome no mundo caiu para 645 milhões, o que representa uma redução de 14 milhões de pessoas em relação a 2024 e uma queda acumulada de 43 milhões desde 2022. Os dados integram o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026”, elaborado por cinco agências da ONU, incluindo a FAO e a OMS.

Atualmente, estima-se que 7,8% da população mundial enfrente a fome. Durante a 30ª Sessão do Comitê de Agricultura da FAO, em Roma, o diretor-geral da organização, Qu Dongyu, reforçou que, embora os números sejam positivos, o ritmo de progresso ainda é insuficiente. O combate efetivo ao problema, segundo ele, depende de compromisso político, investimentos sólidos e políticas públicas direcionadas.

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar do Brasil, Fernanda Machiaveli, esteve presente no evento e reiterou que a fome é um problema evitável. Para a ministra, quando governos priorizam o combate à desigualdade e à pobreza, os avanços tornam-se concretos.

Queda na insegurança alimentar severa

O levantamento também aponta uma diminuição no número de pessoas em situação de insegurança alimentar moderada ou severa — condição em que o indivíduo não consome alimentos suficientes ou não tem acesso a uma dieta de qualidade. Em 2025, cerca de 2,1 bilhões de pessoas (25,8% da população global) viviam nessa situação, uma redução significativa comparada aos 27,1% registrados em 2024.

Desigualdade entre continentes

A recuperação econômica e alimentar não ocorre de forma uniforme. Enquanto Ásia, América Latina e Caribe registram melhorias graduais, a África ainda enfrenta desafios críticos devido ao rápido crescimento populacional. Atualmente, o continente africano concentra o maior número absoluto de pessoas famintas, com 20% da sua população — cerca de 309 milhões de indivíduos — afetada pela fome.

Mulheres e crianças são as maiores vítimas

A insegurança alimentar continua sendo mais acentuada em áreas rurais e entre o público feminino. Globalmente, uma em cada três mulheres entre 15 e 49 anos não consegue manter uma dieta minimamente diversificada. O cenário para crianças de 6 a 23 meses também é preocupante: apenas 30,8% recebem uma alimentação adequada. Além disso, o mundo enfrenta o crescimento da obesidade adulta e o aumento dos quadros de anemia em mulheres em idade fértil.

O custo da dieta saudável

Um dos maiores entraves para a meta da ONU de erradicar a fome até 2030 é o preço dos alimentos. Em 2025, 2,69 bilhões de pessoas (32,7% da população mundial) não tinham renda suficiente para adquirir uma dieta saudável. Na África, essa cifra atinge 66,6% dos habitantes.

Especialistas apontam que a instabilidade nos preços e a falta de infraestrutura na cadeia produtiva elevam os custos. A solução proposta pelos organismos internacionais passa por reformas em subsídios, investimentos em pesquisa e tecnologia agrícola, além de melhorias no armazenamento e na logística para reduzir os custos estruturais do setor.

Desafios e perspectivas futuras

Apesar da tendência de queda, o relatório alerta para ameaças que podem comprometer os avanços futuros. Conflitos armados, eventos climáticos extremos — como as consequências do fenômeno El Niño — e a redução no financiamento humanitário global são fatores de risco para os próximos cinco anos.

Para o diretor-geral da FAO, é fundamental fortalecer os sistemas agroalimentares contra crises sistêmicas. “Crises recentes, desde pandemias até guerras e instabilidades no comércio global, evidenciaram a necessidade de tornarmos a produção e o acesso a alimentos mais resilientes para proteger as populações mais vulneráveis”, concluiu Qu Dongyu.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.

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