0d9a8710 1

Reciprocidade não é retaliação nem “olho por olho”, diz Alckmin

Brasil e Mundo Política

Alckmin descarta retaliação e foca em estratégia

O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu que a aplicação da Lei da Reciprocidade não deve ser interpretada como uma medida de “olho por olho” contra os Estados Unidos. Segundo Alckmin, o governo brasileiro busca apenas corrigir o que considera uma injustiça comercial, evitando o agravamento das tensões diplomáticas. “A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso”, afirmou.

O plano de resposta do governo

Após reunião com empresários dos setores atingidos pela sobretaxa imposta pelo governo Trump, a equipe econômica, representada por Alckmin e pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, detalhou um plano de ação estruturado em três eixos: suporte financeiro às empresas, busca por novos mercados internacionais e um canal direto de diálogo com o setor produtivo. A medida americana, que impõe tarifas de 25% com possibilidade de acréscimo, impacta cerca de 18% das exportações brasileiras aos EUA, totalizando aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

Crédito e desoneração para o exportador

Para mitigar os danos imediatos, o Executivo trabalha em um pacote de auxílio que inclui a oferta de crédito facilitado através do programa Brasil Soberano, visando garantir capital de giro para as empresas afetadas. Além disso, está em estudo a flexibilização temporária do regime de drawback — que suspende ou isenta tributos sobre insumos importados — permitindo que exportadores tenham mais fôlego para honrar compromissos sem perder incentivos fiscais. O governo também discute ajustes em exigências trabalhistas para setores que venham a receber ajuda emergencial.

Busca por novos mercados

Como estratégia de longo prazo, a ApexBrasil intensificará o esforço para diversificar os destinos dos produtos nacionais, reduzindo a dependência econômica dos Estados Unidos. Estão no radar mercados como Índia, México, Singapura e Japão, além de um esforço renovado para consolidar acordos comerciais entre Mercosul e União Europeia. O setor industrial, especialmente os segmentos de eletroeletrônicos, autopeças, máquinas e calçados, é o mais exposto aos impactos tarifários.

O cronograma de incertezas

O governo brasileiro corre contra o tempo. A partir de 29 de julho, entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias que já estão em trânsito rumo aos portos americanos. Além disso, o mercado aguarda com expectativa a próxima sexta-feira, quando os EUA devem decidir se aplicarão uma alíquota adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de combate ao trabalho forçado. Até lá, o Ministério do Desenvolvimento mantém um ciclo de reuniões com diversos segmentos da indústria para consolidar o diagnóstico e ajustar as medidas de proteção.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *