O encanto da revelação
Folhear um álbum de família na sala de estar, a ansiedade pela revelação do filme e a incerteza mágica sobre como a imagem ficou após o clique. Estas experiências, que pareciam estar perdidas na era dos smartphones e da nuvem, vivem um momento de redescoberta no Ceará. Neste Dia Mundial da Fotografia, celebrado em 19 de agosto, conhecemos pessoas que escolheram desacelerar e trazer as memórias de volta para o papel.
Mais que imagens, patrimônio afetivo
Para muitos cearenses, o álbum de fotos transcende o papel: ele é um verdadeiro legado. Inês Ramalho, aos 70 anos, guarda histórias de uma vida inteira em porta-retratos e álbuns espalhados por casa. ‘Eu não era de gastar com roupas ou calçados, guardava o dinheiro para o registro das fotos’, relembra a aposentada, que hoje mescla as tecnologias e segue firme no hábito de imprimir seus momentos especiais.
A fotografia como ritual
O cientista de dados Madson Dias, de 36 anos, vê na fotografia analógica uma forma de pausar a correria diária. ‘A máquina fotográfica funciona como uma máquina do tempo. A gente congela um pedaço dele e, no futuro, revisita aquele instante’, explica. Para ele, a fotografia analógica exige intenção e paciência, um antídoto necessário contra o consumo instantâneo e descartável das redes sociais.
Preservação em tempos digitais
O historiador e técnico em preservação do Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE), David Felício, alerta que o armazenamento digital não é garantia absoluta de eternidade. Discos rígidos corrompem e serviços de nuvem podem falhar. Por isso, ele defende que a estratégia ideal é a combinação: o digital para a facilidade, mas o físico para a permanência. Guardar negativos e imprimir as fotos preferidas ainda é o caminho mais seguro para garantir que a história de cada família atravesse gerações.
Edição: Portal Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução

