Estão abertas, até o dia 5 de agosto, as inscrições para a segunda edição da Rede de Proteção Digital para Comunicadoras Negras (Repcone). O programa oferece formação gratuita em cibersegurança, suporte psicossocial e orientação jurídica, com o objetivo de articular e proteger mulheres negras, indígenas e quilombolas contra a violência online em toda a América Latina.
Como participar do programa
A iniciativa, promovida pela Rede de Jornalistas Pretos (Rede JP), é voltada não apenas para comunicadoras, mas para qualquer mulher em posição de liderança — comunitária, institucional ou organizacional — que esteja exposta a riscos no ambiente digital. As interessadas podem se inscrever gratuitamente por meio de um formulário online disponível na internet.
Marcelle Chagas, idealizadora da rede e coordenadora-geral, destaca a urgência da iniciativa diante do cenário atual: “O ambiente digital tem se tornado um espaço mais complexo e nocivo para mulheres negras que ocupam espaços públicos, seja na comunicação ou na defesa de direitos”. A seleção priorizará mulheres que atuam em contextos de maior vulnerabilidade e invisibilidade estrutural.
Diversidade e alcance latino-americano
Para esta edição, serão selecionadas 30 participantes de toda a América Latina, garantindo uma rede diversificada que contemple diferentes territórios e identidades. A formação abrange quatro eixos principais: aulas virtuais sobre proteção de dados e enfrentamento à desinformação, suporte jurídico e psicológico, protocolos de resposta rápida contra ataques coordenados e infraestrutura tecnológica.
Além das aulas online com tradução em português, espanhol e acessibilidade em Libras, o programa prevê oficinas presenciais no Rio de Janeiro e no Peru, além de apoio financeiro para que as selecionadas multipliquem o conhecimento em suas comunidades locais.
Inovação com Inteligência Artificial
Um dos grandes destaques desta edição é o lançamento da “Latinas IA”. Trata-se de um agente digital desenvolvido pela Rede JP para oferecer suporte 24 horas a mulheres vítimas de violência online, assédio e campanhas de desinformação. A ferramenta funciona como um guia prático, conectando as usuárias a fontes verificadas e orientações adaptadas aos diferentes contextos culturais da América Latina.
Trajetória e impacto da rede
A Repcone foi estruturada em 2025, após um amplo processo de escuta entre lideranças do Brasil, Argentina e Colômbia, consolidando-se como uma resposta estratégica à tentativa de silenciar mulheres negras em espaços de decisão. A primeira edição do projeto alcançou, segundo a organização, cerca de 17,1 milhões de pessoas.
Como parte do legado do projeto, a rede mantém a disponibilização gratuita da Cartilha Repcone: Proteção Digital para Comunicadoras Negras na América Latina. O material serve como um guia essencial, oferecendo protocolos de segurança, orientações sobre saúde mental e uma análise sobre como a violência digital está diretamente ligada às desigualdades de raça e gênero na sociedade.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

