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Ressalga: novo romance de Bethânia Amaro resgata vozes femininas esquecidas da boemia baiana

Brasil e Mundo Cultura

Ocupando as lacunas da história

A Ladeira da Montanha, via que conecta a Cidade Alta à Cidade Baixa em Salvador, guarda segredos que o tempo quase apagou. Entre as décadas de 1950 e 1970, o local pulsava como o epicentro da boemia e da vida noturna soteropolitana. É neste cenário de decadência atual, marcado por ruínas e abandono, que a escritora Bethânia Pires Amaro mergulha em seu primeiro romance, Ressalga, para dar luz a quem a história oficial preferiu silenciar: as profissionais do sexo.

Um resgate necessário

“Essas mulheres foram o coração daquela região, mas foram completamente invisibilizadas”, afirma Bethânia. O livro não é apenas uma obra de ficção, mas um exercício de arqueologia social. Durante sua pesquisa, a autora constatou que a memória do período foi preservada quase exclusivamente através de lentes masculinas, restando apenas fragmentos nas biografias de homens influentes da época.

Da realidade à ficção

Inspirada por figuras reais como Maria Pires e Maria da Vovó, a narrativa de Ressalga constrói personagens complexas e densas. A trama se entrelaça com grandes marcos históricos do Brasil, desde o suicídio de Getúlio Vargas até a repressão da ditadura militar — o mesmo cenário que impediu Jorge Amado de concluir seu próprio projeto sobre as mulheres da Ladeira da Montanha.

Retorno ao epicentro

A escolha de lançar a obra durante a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô) possui um significado especial. Ao apresentar o livro no coração de Salvador, onde a história acontece, a autora celebra a possibilidade de ver as narrativas locais ganharem o protagonismo que merecem, superando os estereótipos que por tanto tempo definiram o papel da mulher na literatura brasileira.


Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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