Para mitigar os impactos do novo “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos, que elevou em 25% os impostos sobre diversos produtos brasileiros, o governo federal lançou o Plano Brasil Soberano 3. O pacote disponibiliza R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito subsidiado para exportadores e setores estratégicos da economia nacional.
Crédito facilitado para a indústria
A iniciativa, viabilizada por meio de medida provisória e projeto de lei, destina R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 5 bilhões do BNDES. O objetivo é oferecer fôlego financeiro para empresas que enfrentam dificuldades com o fechamento ou encarecimento do mercado norte-americano, que absorve cerca de US$ 5,8 bilhões das exportações brasileiras afetadas pela nova taxação.
Os recursos podem ser utilizados para capital de giro, aquisição de máquinas, inovação tecnológica e até a prospecção de novos mercados. As taxas de juros são atrativas e variam conforme o projeto, chegando a 3% ao ano para setores críticos e 9,80% para capital de giro de grandes empresas.
Setores e empresas contemplados
O plano foi expandido para ir além dos exportadores tradicionais. Agora, são beneficiados também setores como agricultura, pecuária, indústria farmacêutica, têxtil, automotiva e de mineração. Além disso, empresas prejudicadas por conflitos geopolíticos, especialmente no Golfo Pérsico, foram incluídas no escopo do programa.
Os segmentos mais impactados pelo tarifaço dos EUA — como fabricantes de móveis, cerâmicas, calçados e máquinas — terão prioridade. Além do crédito, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o programa oferece suporte adicional, como o seguro garantia voltado para micro e pequenas empresas.
Diplomacia em vez de retaliação
Embora o governo brasileiro admita que as negociações com a Casa Branca não avançaram até o momento, a estratégia oficial é manter o diálogo aberto. O vice-presidente descartou, por ora, qualquer retaliação comercial direta, utilizando a máxima de que “olho por olho pode deixar os dois cegos”. A postura do Palácio do Planalto é de buscar a correção das medidas por vias diplomáticas, classificando as novas tarifas como injustas.
O histórico do programa
O Brasil Soberano consolidou-se como a principal ferramenta do governo para proteger a balança comercial diante das investidas protecionistas dos EUA. Somadas, as três fases do programa já injetaram R$ 69,5 bilhões na economia: R$ 30 bilhões em agosto de 2025, R$ 21 bilhões em março de 2026 e, agora, os R$ 18,5 bilhões deste terceiro ciclo, visando preservar a competitividade da indústria nacional no exterior.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.

