As Nações Unidas (ONU) lançaram uma iniciativa estratégica para utilizar a força da Copa do Mundo de futebol como um pilar de promoção da saúde mental global. O projeto busca alinhar a paixão pelo esporte ao bem-estar coletivo, transformando os gramados em espaços de apoio emocional e integração social.
Futebol como ferramenta de bem-estar
Na sede da ONU, em Nova York, o encontro intitulado “Um Mundo, Um Jogo, Um Objetivo: O Futebol como um Catalisador para a Saúde Mental e Bem-Estar da Juventude” reuniu governos, lideranças juvenis e a sociedade civil. O debate central é impulsionado por um relatório alarmante da organização, que aponta que um a cada sete jovens entre 10 e 19 anos sofre com transtornos mentais, cenário agravado pelo aumento dos índices de depressão nessa faixa etária.
Especialistas da ONU destacam que a prática de esportes coletivos reduz drasticamente os níveis de ansiedade e depressão, independentemente da cultura. O objetivo é remover as barreiras que impedem os jovens de acessar o esporte, utilizando o futebol para fomentar o sentimento de pertencimento e a superação de limites pessoais.
O desafio do Brasil na Copa Feminina
Com o olhar voltado para o Brasil, que sediará a Copa do Mundo Feminina em 2027, especialistas defendem que o torneio deve transcender o âmbito esportivo e ser usado para enfrentar temas urgentes. Segundo Pedro Trengrouse, da Fifa Master Alumni, o evento é uma oportunidade crucial para o combate à violência de gênero no país.
“Um país com os nossos índices de feminicídio não pode receber um evento dessa magnitude sem tratar o tema com a profundidade necessária”, defende Trengrouse, reforçando que o futebol deve atuar como um agente de transformação social e conscientização política.
O perigo das apostas esportivas
Enquanto o futebol ganha esse tom social, o mercado de apostas online, as chamadas “bets”, acende um alerta sobre a saúde mental dos brasileiros. O Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) adverte que a forte carga emocional ligada ao esporte tem sido explorada por empresas de apostas para atrair novos usuários, muitas vezes pessoas em situação de vulnerabilidade.
Dados da fintech Klavi, baseados no Open Finance do Banco Central, revelam a dimensão do problema: durante a Copa do Mundo, o montante enviado pelos brasileiros a casas de apostas atingiu a marca de R$ 944 milhões. O impacto financeiro reflete diretamente na saúde mental dos apostadores, com o aumento de casos de compulsão e endividamento.
Diante da crescente demanda por suporte psicológico, o Sistema Único de Saúde (SUS) precisou ampliar sua rede de teleatendimento voltada a jogadores compulsivos. Em nota, o Ministério da Saúde alerta que, para muitos, a prática que deveria ser de lazer transforma-se em um ciclo vicioso com danos severos às finanças, às relações sociais e ao equilíbrio emocional do indivíduo.
Fonte: Agência Brasil. Edição: Itarema Direto.

