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Árbitra denuncia tentativa de estupro de chefe de arbitragem: ‘Eu tentava me soltar e ele insistindo’

Ceará Polícia

A arbitragem cearense vive um momento de choque e indignação. Quatro árbitras denunciaram Paulo Silvio dos Santos, então presidente da Comissão de Arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), por graves crimes de assédio e tentativa de estupro. Os relatos apontam uma postura abusiva e reiterada, onde o cargo de chefia era utilizado para pressionar mulheres, ferindo a ética e a segurança das profissionais dentro da entidade.

Relatos de horror e abuso de poder

Em entrevista, uma das vítimas descreveu cenas de terror. Segundo ela, durante uma confraternização que terminou em um motel, Paulo Silvio a teria forçado a ir para um quarto. “Ele me colocou na cama e tentou me agarrar, mesmo com minhas recusas. Eu tentava me soltar e ele insistia”, desabafou. A mulher relatou ainda que, mesmo após ela buscar refúgio no banheiro, o acusado a seguiu e praticou atos de importunação sexual. O trauma foi tamanho que a árbitra passou a faltar treinamentos físicos por medo de cruzar com o agressor, o que acabou por estagnar sua carreira.

Outra denunciante relatou uma perseguição constante. Desde o final de 2022, o ex-chefe da arbitragem enviava convites inoportunos, frequentemente tarde da noite, sugerindo encontros em sua residência. A vítima afirma que, após iniciar um relacionamento, passou a sofrer retaliações, sendo “escanteada” das escalas de jogos, o que a levou a desistir da arbitragem em 2025.

Investigação policial e medidas protetivas

O caso está sendo conduzido pela 1ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza. A Polícia Civil já solicitou medidas protetivas em favor de pelo menos uma das vítimas. O objetivo é garantir a integridade física e psicológica das denunciantes, que temem represálias em um meio dominado pelo poder de influência do investigado.

A postura da Federação Cearense de Futebol

Após a repercussão, a FCF anunciou a abertura de uma sindicância administrativa, presidida por uma mulher, para apurar os fatos. Paulo Silvio pediu licença do cargo por 30 dias, mas a federação garantiu que ele não retornará às funções enquanto as investigações estiverem em curso. Entre as medidas tomadas pela entidade estão a preservação de provas e a proibição de contato entre o acusado e as vítimas.

O advogado das árbitras, Bruno Vasconcelos, criticou a demora da federação em agir, sugerindo que as medidas internas só foram tomadas após a pressão pública e o registro de Boletins de Ocorrência. “A busca por justiça não se limita ao indivíduo, mas exige que as instituições esportivas garantam, de fato, a proteção das mulheres contra o abuso de poder”, pontuou o defensor.

O que diz a defesa

Em nota oficial, a defesa de Paulo Silvio dos Santos nega veementemente todas as acusações. O texto afirma que ele “jamais praticou qualquer conduta de assédio sexual, importunação sexual ou violência”. Os advogados sustentam que as denúncias são versões unilaterais e que o investigado confia na imparcialidade da polícia para esclarecer os fatos, reforçando o direito à presunção de inocência.


Informações baseadas no portal G1 Ceará.

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